
O inconsciente pessoal em Jung equivale ao inconsciente descrito por Freud: é uma instância onde todo o material reprimido é depositado. É formado, segundo Jung:
... primeiramente, daqueles conteúdos que se tornam inconscientes, seja porque perderam sua intensidade e, por isto, caíram no esquecimento, seja porque a consciência se retirou deles (é a chamada repressão) e, depois, daqueles conteúdos, alguns dos quais percepções sensoriais, que nunca atingiram a consciência, por causa de sua fraquíssima intensidade, embora tenham penetrado de algum modo na consciência (JUNG, 2013, § 321).
Trata-se, portanto, de uma camada mais superficial da psique formado essencialmente por experiências pessoais. Podemos dizer que tais conteúdos são pessoais, na medida em que forem adquiridos durante a existência do indivíduo (JUNG, 2015, p. 16).
Para além do inconsciente pessoal, se sabe que o inconsciente contém além de conteúdo reprimido, componentes que nunca foram conscientes. Sobre isto nos diz JUNG (2015): “... o inconsciente parece conter outras coisas além das aquisições e elementos pessoais” (§ 219); “... o inconsciente contém não só componentes de ordem pessoal, mas também impessoal, coletiva, sob a forma de categorias herdadas ou arquétipos” (§ 220).
O inconsciente coletivo corresponde, portanto, à camada mais profunda da psique do homem.
É no inconsciente coletivo onde habitam os padrões e forças universalmente predominantes, os chamados arquétipos. Para Jung, não existe nada de individual ou único nesse nível. Todas as pessoas têm os mesmos arquétipos e instintos (STEIN, 2016).
Conceituar arquétipo não é uma tarefa fácil. É impossível dar uma definição exata do termo. O arquétipo pertence à ordem do enigmático e está para além da nossa capacidade de apreensão racional (JACOBI, 2016).
Nas palavras de JUNG (1941, p. 112s) “o que um arquétipo expressa é, antes de tudo, uma metáfora” (apud JACOBI, 2016, p. 43). Os arquétipos só podem ser reconhecidos pelos efeitos que produzem e quanto à sua origem, permanece obscura.
O conceito de arquétipo, tal como outros conceitos dentro da teoria de Jung, sofreu algumas modificações com o passar do tempo e o aprofundamento dele nos estudos do inconsciente, e passou de “temas modelares” psíquicos para toda e qualquer manifestação de natureza universalmente humana e típica.
Jung ressalta a importância de se diferenciar o “arquétipo em si” do arquétipo perceptível. O primeiro diz respeito ao caráter potencialmente presente, mas imperceptível do arquétipo, o segundo se refere ao arquétipo atualizado, representado por imagens arquetípicas (JACOBI, 2016).
É dessa forma que o arquétipo se dá a conhecer: através de imagens arquetípicas.
Outra questão de extrema importância é que os arquétipos não são ideias herdadas como muito se é propagado por aí. Os arquétipos são “... possibilidades de representação herdadas” (JACOBI, 2016, p. 66). São os “organizadores ocultos das representações”. O arquétipo é “presença eterna” (JUNG, 2012, p. 239).
Em suma, o arquétipo é uma forma, um recipiente que jamais poderá ser enchido ou esvaziado. O arquétipo não muda, sua estrutura básica permanece a mesma em todo tempo, contudo, está em constante transformação em seu modo de manifestação.
O inconsciente pessoal, inconsciente coletivo e os arquétipos estão conectados em todos os níveis de funcionamento. O inconsciente coletivo como morada dos arquétipos, que são os padrões e as possibilidades de representação herdadas por todos os homens, que nos dizem que somos todos iguais, possuímos as mesmas estruturas básicas e o inconsciente pessoal que é formado essencialmente pelas experiências individuais de cada pessoa.
O arquétipo é um, mas suas formas de representação são ilimitadas, a forma é preenchida de acordo com a vivência pessoal. Somos o jogo de opostos, como a própria psique: somos coletivos e individuais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
JACOBI, J. Complexo, Arquétipo e Símbolo na Psicologia de C. G. Jung. Col. Reflexões Junguianas. Petrópolis: Vozes, 2016.
JUNG, C. G. Psicologia e Alquimia. V. 12 – Col. Obra Completa. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.
JUNG, C. G. A natureza da Psique: A dinâmica do inconsciente. V. 8/2 – Col. Obra Completa. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.
JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente: Dois escritos sobre psicologia analítica. V. 7/2 – Col. Obra Completa. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.
STEIN, M. Jung: O Mapa da Alma. 5. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.